Olá Retórico!
Hoje coloquei no ar mais uma animação, como você pode conferir abaixo, bem nonsenserol. É interessante que uma animação, pois mais sem significado que seja, pode ser interpretada de várias formas diferentes por indivíduos diferentes, como um poema.
Como sou péssimo na poesia, fiz animação mesmo, e está aí:
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domingo, 22 de maio de 2011
Nonsenserol #2
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Toc, Toc
Sobre um vizinho, cujo nome não sei:
"Toc, toc". Alguém bate na porta. Insiste em bater e ele não vai atender.
"Toc, toc". "Não vou abrir", ele pensa, "devem ser as Testemunhas de Jeová", vou esperar mais um pouco. E eis que novamente a madeira da porta vibra com as batidas fortes que são contra ela lançadas.
"Toc, toc". "Pela insistência, deve ser minha ex-mulher, querendo pegar um dos meus pertences, que ela acredita ser dela".
A porta para, e ele olha pelo olho mágico: não vê ninguém. Abre a porta lentamente, com medo de algum golpe supresa de sequestradores experientes. "Se eles quiserem meu dinheiro, terão de primeiro sentir o gostinho de meus golpes de karatê", ele deve pensar, e abre a porta com uma cautela entediante e, quando não vê ninguém fecha-a depressa, conta de um até dez, em japonês, certamente praticando os golpes que outrora aprendera e imaginando o que faria se o sequestrador não tivesse perdido a paciência e saído de sua porta.
No cinco, ouve a porta bater: "toc". Agora estava em dúvida se tinha pisado muito forte nos tacos da sala, se voltaram à sua porta, ou se o sequestrador havia entrado em sua casa. Por isso ficava imóvel, em absoluto silêncio, esperando ouvir de novo o barulho alienígena de fontes desconhecidas que tanto transtorno lhe causava.
As janelas estavam fechadas, e a do banheiro era pequena demais para alguém passar. Talvez um rato tivesse entrado em casa, ou algum animal maior. Por isso ia se esgueirando para a cozinha, para garantir que, em silêncio, pegaria a vassoura e aniquilaria o hóspede indesejado.
E então se passavam os dias, confinado em sua casa e mente, por centenas de dias a fio, sem ver a cor do céu. Suprido de alimentos e roupas desnecessárias por familiares que não faziam mais do que cumprir sua função social. Abrindo e fechando a porta várias vezes por semana.
E assim foi durante meses, até que eu e minha família desistimos do inquilino desconhecido. E ele foi consumido por sua compulsão, por sua angústia, transtornado pela porta que insitia em bater. E dessa forma ele definhava.
Sem conseguir solucionar o enigma que o rodeava, o indivíduo perecia, e apenas quando o condomínio decidiu trocar os portões que não se fechavam, é que pudemos ver a face magra e pálida do homem. E tudo porque lhe faltava segurança, algo ou alguém que garantisse que o desconhecido não invadiria seu espaço.
Ele já não ouvia mais o "toc, toc" que lhe incomodara por anos.
E em todo esse tempo, a única pessoa que eu ouvi bater à porta fui eu mesmo, e eu só queria fazer do copo de açúcar um pretexto para dar boas vindas para este novo vizinho. Mas eu batia à sua porta e ele demorava a aparecer. Enquanto que, por outro lado, sua familia abria a porta sem bater, com uma cópia da chave que tinha.
Se alguém batia em alguma coisa, era a sua obsessão que batia em sua cabeça, e "toc, toc" fazia.
E agora que o portão protege sua porta do barulho, ele pode descobrir qual dos tacos de sua casa perturbam seu caminhar, e em qual de seus aposentos aqueles malditos roedores se escondem.
"Toc, toc". Alguém bate na porta. Insiste em bater e ele não vai atender.
"Toc, toc". "Não vou abrir", ele pensa, "devem ser as Testemunhas de Jeová", vou esperar mais um pouco. E eis que novamente a madeira da porta vibra com as batidas fortes que são contra ela lançadas.
"Toc, toc". "Pela insistência, deve ser minha ex-mulher, querendo pegar um dos meus pertences, que ela acredita ser dela".
A porta para, e ele olha pelo olho mágico: não vê ninguém. Abre a porta lentamente, com medo de algum golpe supresa de sequestradores experientes. "Se eles quiserem meu dinheiro, terão de primeiro sentir o gostinho de meus golpes de karatê", ele deve pensar, e abre a porta com uma cautela entediante e, quando não vê ninguém fecha-a depressa, conta de um até dez, em japonês, certamente praticando os golpes que outrora aprendera e imaginando o que faria se o sequestrador não tivesse perdido a paciência e saído de sua porta.
No cinco, ouve a porta bater: "toc". Agora estava em dúvida se tinha pisado muito forte nos tacos da sala, se voltaram à sua porta, ou se o sequestrador havia entrado em sua casa. Por isso ficava imóvel, em absoluto silêncio, esperando ouvir de novo o barulho alienígena de fontes desconhecidas que tanto transtorno lhe causava.
As janelas estavam fechadas, e a do banheiro era pequena demais para alguém passar. Talvez um rato tivesse entrado em casa, ou algum animal maior. Por isso ia se esgueirando para a cozinha, para garantir que, em silêncio, pegaria a vassoura e aniquilaria o hóspede indesejado.
E então se passavam os dias, confinado em sua casa e mente, por centenas de dias a fio, sem ver a cor do céu. Suprido de alimentos e roupas desnecessárias por familiares que não faziam mais do que cumprir sua função social. Abrindo e fechando a porta várias vezes por semana.
E assim foi durante meses, até que eu e minha família desistimos do inquilino desconhecido. E ele foi consumido por sua compulsão, por sua angústia, transtornado pela porta que insitia em bater. E dessa forma ele definhava.
Sem conseguir solucionar o enigma que o rodeava, o indivíduo perecia, e apenas quando o condomínio decidiu trocar os portões que não se fechavam, é que pudemos ver a face magra e pálida do homem. E tudo porque lhe faltava segurança, algo ou alguém que garantisse que o desconhecido não invadiria seu espaço.
Ele já não ouvia mais o "toc, toc" que lhe incomodara por anos.
E em todo esse tempo, a única pessoa que eu ouvi bater à porta fui eu mesmo, e eu só queria fazer do copo de açúcar um pretexto para dar boas vindas para este novo vizinho. Mas eu batia à sua porta e ele demorava a aparecer. Enquanto que, por outro lado, sua familia abria a porta sem bater, com uma cópia da chave que tinha.
Se alguém batia em alguma coisa, era a sua obsessão que batia em sua cabeça, e "toc, toc" fazia.
E agora que o portão protege sua porta do barulho, ele pode descobrir qual dos tacos de sua casa perturbam seu caminhar, e em qual de seus aposentos aqueles malditos roedores se escondem.
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