Olá, hoje decidi comentar sobre algumas séries que achei interessantes. São elas : "3%" e "Adorável Psicose".
"Três Porcento" fala de uma sociedade dividida em dois lados: um que oferece alta qualidade de vida e outro que é péssimo de se viver. Acontece que todo jovem, ao alcançar os seus 20 anos, tem a oportunidade única de tentar passar para "o lado de lá" ( o lado bom ). O problema é que apenas 3% deles serão selecionados e por isso terão de passar por um severo teste seletivo. O primeiro episódio foi postado em três partes no Youtube e já obteve cerca de 70.000 visualizações. O interessante é o fato da série explorar um ramo cinematográfico ainda não explorado com afinco pelos brasileiros: o da ficção científica.
O projeto da série tem o seu piloto na internet e busca por um canal de TV que possa viabilizar a temporada completa. Abaixo a primeira parte de três do primeiro episódio:
A outra série, Adorável Psicose, que passa no MultiShow é, de fato, adorável. Com seu quê de nonsenserol, a série acompanha a vida de Natália, uma garota com um certo desvio mental que acentua sua psicose, fazendo-a agir e ver as coisas de uma forma muito peculiar e totalmente sem sentido. Os cenário também são muito improváveis, deixando os episódios ainda mais engraçados e fixantes. Vale a pena dar uma olhadinha.
A série é baseada no blog homônimo, que também é muito engraçado e criativo, pelo menos no único episódio que pude assistir ( e que provavelmente já rola por muito tempo, e estava desinformado), com o qual me identifiquei prontamente, eu e minha psicose.
Espero que possam compartilhar suas experiências com séries brasileiras de qualidade encontradas por aí!
Um abraço!
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segunda-feira, 4 de julho de 2011
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
Dieta do Shampoo (#14)
Quem diria que o Shampoo poderia estragar a sua dieta hein?! Se você culpava a sua genética por aqueles quilinhos a mais, comece pelo básico, pelo que você tem no banheiro, por exemplo.
Esses fabricantes idiotas e suas letras miúdas...
Esses fabricantes idiotas e suas letras miúdas...
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Toc, Toc
Sobre um vizinho, cujo nome não sei:
"Toc, toc". Alguém bate na porta. Insiste em bater e ele não vai atender.
"Toc, toc". "Não vou abrir", ele pensa, "devem ser as Testemunhas de Jeová", vou esperar mais um pouco. E eis que novamente a madeira da porta vibra com as batidas fortes que são contra ela lançadas.
"Toc, toc". "Pela insistência, deve ser minha ex-mulher, querendo pegar um dos meus pertences, que ela acredita ser dela".
A porta para, e ele olha pelo olho mágico: não vê ninguém. Abre a porta lentamente, com medo de algum golpe supresa de sequestradores experientes. "Se eles quiserem meu dinheiro, terão de primeiro sentir o gostinho de meus golpes de karatê", ele deve pensar, e abre a porta com uma cautela entediante e, quando não vê ninguém fecha-a depressa, conta de um até dez, em japonês, certamente praticando os golpes que outrora aprendera e imaginando o que faria se o sequestrador não tivesse perdido a paciência e saído de sua porta.
No cinco, ouve a porta bater: "toc". Agora estava em dúvida se tinha pisado muito forte nos tacos da sala, se voltaram à sua porta, ou se o sequestrador havia entrado em sua casa. Por isso ficava imóvel, em absoluto silêncio, esperando ouvir de novo o barulho alienígena de fontes desconhecidas que tanto transtorno lhe causava.
As janelas estavam fechadas, e a do banheiro era pequena demais para alguém passar. Talvez um rato tivesse entrado em casa, ou algum animal maior. Por isso ia se esgueirando para a cozinha, para garantir que, em silêncio, pegaria a vassoura e aniquilaria o hóspede indesejado.
E então se passavam os dias, confinado em sua casa e mente, por centenas de dias a fio, sem ver a cor do céu. Suprido de alimentos e roupas desnecessárias por familiares que não faziam mais do que cumprir sua função social. Abrindo e fechando a porta várias vezes por semana.
E assim foi durante meses, até que eu e minha família desistimos do inquilino desconhecido. E ele foi consumido por sua compulsão, por sua angústia, transtornado pela porta que insitia em bater. E dessa forma ele definhava.
Sem conseguir solucionar o enigma que o rodeava, o indivíduo perecia, e apenas quando o condomínio decidiu trocar os portões que não se fechavam, é que pudemos ver a face magra e pálida do homem. E tudo porque lhe faltava segurança, algo ou alguém que garantisse que o desconhecido não invadiria seu espaço.
Ele já não ouvia mais o "toc, toc" que lhe incomodara por anos.
E em todo esse tempo, a única pessoa que eu ouvi bater à porta fui eu mesmo, e eu só queria fazer do copo de açúcar um pretexto para dar boas vindas para este novo vizinho. Mas eu batia à sua porta e ele demorava a aparecer. Enquanto que, por outro lado, sua familia abria a porta sem bater, com uma cópia da chave que tinha.
Se alguém batia em alguma coisa, era a sua obsessão que batia em sua cabeça, e "toc, toc" fazia.
E agora que o portão protege sua porta do barulho, ele pode descobrir qual dos tacos de sua casa perturbam seu caminhar, e em qual de seus aposentos aqueles malditos roedores se escondem.
"Toc, toc". Alguém bate na porta. Insiste em bater e ele não vai atender.
"Toc, toc". "Não vou abrir", ele pensa, "devem ser as Testemunhas de Jeová", vou esperar mais um pouco. E eis que novamente a madeira da porta vibra com as batidas fortes que são contra ela lançadas.
"Toc, toc". "Pela insistência, deve ser minha ex-mulher, querendo pegar um dos meus pertences, que ela acredita ser dela".
A porta para, e ele olha pelo olho mágico: não vê ninguém. Abre a porta lentamente, com medo de algum golpe supresa de sequestradores experientes. "Se eles quiserem meu dinheiro, terão de primeiro sentir o gostinho de meus golpes de karatê", ele deve pensar, e abre a porta com uma cautela entediante e, quando não vê ninguém fecha-a depressa, conta de um até dez, em japonês, certamente praticando os golpes que outrora aprendera e imaginando o que faria se o sequestrador não tivesse perdido a paciência e saído de sua porta.
No cinco, ouve a porta bater: "toc". Agora estava em dúvida se tinha pisado muito forte nos tacos da sala, se voltaram à sua porta, ou se o sequestrador havia entrado em sua casa. Por isso ficava imóvel, em absoluto silêncio, esperando ouvir de novo o barulho alienígena de fontes desconhecidas que tanto transtorno lhe causava.
As janelas estavam fechadas, e a do banheiro era pequena demais para alguém passar. Talvez um rato tivesse entrado em casa, ou algum animal maior. Por isso ia se esgueirando para a cozinha, para garantir que, em silêncio, pegaria a vassoura e aniquilaria o hóspede indesejado.
E então se passavam os dias, confinado em sua casa e mente, por centenas de dias a fio, sem ver a cor do céu. Suprido de alimentos e roupas desnecessárias por familiares que não faziam mais do que cumprir sua função social. Abrindo e fechando a porta várias vezes por semana.
E assim foi durante meses, até que eu e minha família desistimos do inquilino desconhecido. E ele foi consumido por sua compulsão, por sua angústia, transtornado pela porta que insitia em bater. E dessa forma ele definhava.
Sem conseguir solucionar o enigma que o rodeava, o indivíduo perecia, e apenas quando o condomínio decidiu trocar os portões que não se fechavam, é que pudemos ver a face magra e pálida do homem. E tudo porque lhe faltava segurança, algo ou alguém que garantisse que o desconhecido não invadiria seu espaço.
Ele já não ouvia mais o "toc, toc" que lhe incomodara por anos.
E em todo esse tempo, a única pessoa que eu ouvi bater à porta fui eu mesmo, e eu só queria fazer do copo de açúcar um pretexto para dar boas vindas para este novo vizinho. Mas eu batia à sua porta e ele demorava a aparecer. Enquanto que, por outro lado, sua familia abria a porta sem bater, com uma cópia da chave que tinha.
Se alguém batia em alguma coisa, era a sua obsessão que batia em sua cabeça, e "toc, toc" fazia.
E agora que o portão protege sua porta do barulho, ele pode descobrir qual dos tacos de sua casa perturbam seu caminhar, e em qual de seus aposentos aqueles malditos roedores se escondem.
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